Drª Selma Rodrigues  Universidade do Pantanal

          

          

          

         

           Na observação dos rituais e das festas, com suas danças, seus costumes obtemos dados sobre como se relacionam as pessoas, como se aproximam e como vivem. A habitação é um dos pontos que nos informa como a necessidade básica de proteção das intempéries evoluiu até os mais sofisticados estágios de urbanização que enquadram o cotidiano das coletividades. E por ser uma arte concreta a arquitetura é a que mais resiste ao tempo e pode com isso ser analisada de forma mais profunda.

          Quando se faz a relação entre o ambiente artificial (edificação) e o ambiente natural (ecossistema) podemos observar mais facilmente suas dificuldades para interagi-se, que segundo os ecologistas não há intervenção humana que não interfira no bioma natural. Por exemplo: quando uma estrutura física pode obstruir rotas migratórias de aves ou peixes e até mesmo de animais, o ecossistema criará outro tipo de interações.

          Uma vez analisado e levado em conta os conceitos culturais, estruturais, projetuais e componentes do ecossistema tem que considerar a integração ao longo do tempo. Ecologistas sustentam que o meio ambiente é um estado dinâmico e como conseqüência esta em movimento contínuo. A edificação é algo imóvel estático e intemporal e esta inserida em um conjunto de sistema em estado de eterno movimento ao longo do tempo geológico como erosão, ações geológicas, mudanças climáticas, etc, e suas relações (edifício e meio ambiente) modifica-se continuamente.

          Assim, não cabe considerar o edifício como um sistema estático e imutável. Em um projeto ecológico não cabe ao arquiteto prevenir e verificar toda a gama de interação e conseqüências do projeto, não somente antes da construção, como também seu funcionamento e uso. Por isso o projeto ecológico deve ter um planejamento holistico e global da gestão dos recursos energéticos e  materiais dos elementos edificados, cada projeto deve ser considerado único e próprio modelo de ciclo de vida individual.

          A implantação de qualquer projeto ecológico em um ecossistema cria conflitos dentro deste próprio sistema, como aumento da erosão do solo, alternância da afluência das águas superficiais, modificar a direção do fluxo de ar ou trocar a forma como é absolvido e refletido o calor solar. Isto não quer dizer que toda ação humana tem influência negativa sobre o ecossistema, mas toda atividade construída implica em uma redistribuição de hábitos e composição da parte da biosfera alterada.

          Uma autêntica intervenção ecológica poderia ser descrita como uma edificação de “causa-condição-efeito”, isto significa que uma simples ação concreta pode causar uma ou mais trocas nas condições do ecossistema, as causa por sua vez, podem produzir benefícios, que mesmo não previstos anteriormente, vem melhorar as condições de quem lá vive, criar divisas para a região, ou mesmo produzir um benefício, muitas vezes produzido até mesmo pela própria natureza, como uma quebra do ciclo de vida da fauna ou da flora.

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

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