Drª Selma Rodrigues  Universidade do Pantanal

          

         

          

           Os grandes hotéis considerados de estilos internacionais, tais como o Sheraton, o Meridien, Othon, foram construídos praticamente na mesma época em que a tendência e padrão eram quase os mesmo. Hoje com as multidões de executivos que compõem reuniões comerciais e institucionais são o alvo preferidos das cadeias hoteleiras. Isso explica porque os grandes hotéis brasileiros estão investindo em reformas de manutenção, procurando atender aos novos padrões de hospedagem, com ênfase para a qualidade dos serviços.

          Estes estabelecimentos vem sofrendo uma adaptação aos novos padrões internacionais, tendo como centro estratégico das atuais reformas as facilidades para convenções e a inteligência dos serviços, através de equipamentos de telefonia, aparelhos audiovisuais, salas de apoio para tradução simultânea, rede de micros, fax secretárias executivas.

          O Copacabana Palace, vem sofrendo mudanças voltadas para atender aos executivos através da criação de novo lay-out, bar, novas suítes, restaurantes, elevadores e informatização de todo o hotel.

          Outro exemplo de hotel que também teve que se adaptar as mudanças de demanda foi o Rio Othon Palace, houve a necessidade de diversificar o tipo de padrão de hospedagem, preparando-o para receber hóspedes de diversas categorias.

          Do ponto de vista arquitetônico na hotelaria, há dois hotéis que merecem destaque, o Grande Hotel de Ouro Preto, de Oscar Niemeyer de 1949 (Fig. 1.11) e o Hotel Parque São São Clemente em Friburgo, de Lúcio Costa (Fig. 1.12). Ambos apresentam em seus hotéis elementos da arquitetura moderna, combinado com elementos da arquitetura colonial brasileira.

          O projeto do Grande Hotel de Ouro Preto, foi inicialmente solicitado a Oscar Niemeyer, que fosse um edifício moderno, que correspondesse às necessidades do turismo, mas que não alterasse a fisionomia da cidade, onde todas as construções, que datam do século XVIII, são monumentos históricos.

          Então elaborou o primeiro projeto onde não levava em consideração as características peculiares do meio ambiente, o que não foi aceita pelo Serviço do Patrimônio Histórico, Niemeyer reconsiderou e elaborou um novo projeto, onde mantinha a idéia de uma edificação moderna, mas harmônica com o entorno.           Os pilotis alinhando-se em um, dois, ou três níveis, não impede que a dominante composição seja acentuada na horizontal e que integra perfeitamente à arquitetura local.

          O caráter geométrico do volume, a inclinação do telhado, a repetição sistemática de um motivo uniforme no andar principal integram-se à simplicidade e à falta de pretensão decorativa dos antigos edifícios. Para fortalecer ainda mais a integração, foram usados materiais  da região, como a pedra do Itacolomi e a telha colonial, bem como as cores usadas no passado.

          O Hotel do Parque de, Nova Friburgo, foi encomendado pela família Guinle à Lúcio Costa, com o objetivo de que fosse um hotel modesto em tamanho, mas destinado à uma clientela rica, para descanso e lazer.

          Feito com materiais locais disponíveis na região, deu um tratamento moderno, no seu uso.

          É um edifício com estrutura independente, permitindo o livre desenvolvimento de uma planta funcional; andar térreo sobre pilotis, parcialmente fechado por grandes superfícies envidraçadas, o piso superior em balanço, onde todos os quartos são servidos por uma galeria posterior, e cuja fachada dá para um terraço coberto, ficando assim com a melhor orientação e com vista privilegiada.

          Estabelece uma hierarquia entre o bloco principal, simples, de forma pura, clara, e os elementos anexos, colocados na face em recuo.

          O Hotel do Parque São Clemente é um notável exemplo de uma arquitetura hábil, integrada ao ambiente local sem que por isso tenha que ter o aspecto de uma arquitetura vernácula da região.

 

 
 

 

 

 

 

 

 

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