Drª Selma Rodrigues  Universidade do Pantanal

          

          A hotelaria no Brasil não evolui por muitos anos, principalmente no interior , simplesmente porque não havia viajantes ou qualquer tipo de comércio. Os bandeirantes quase não permaneciam no vilarejo, pois estavam ocupados em escravizar os índios ou em batear ouro e prata para a coroa portuguesa.

          Não havia demanda para locais de pouso. A cidade que simplesmente emergia de um aglomerado de construções de taipa, com homens adentrando o sertão, era carente de tudo,  que constitui uma cidade.

          Historiadores registram no início do século XVII o aparecimento do primeiro hotel oficial de São Paulo, Marcos Lopes. Ainda incipiente, a hotelaria paulista, simples e pobre, era visada pelo fisco. Em 1609, o Procurador da Câmara arrolava várias tabernas, para fins tributários, nelas colocando à porta um ramo verde para caracterizar o comércio de vinhos e o conseqüente pagamento do imposto.

          Durante todo o século XVII, a atividade hoteleira era sempre exercida conjuntamente com outros ofícios como barbeiros, sapateiros, alfaiates, que eram ao mesmo tempo artífices, vendeiros e estalajadeiros. Todos eram considerados vendedores de alimentos e hospedagem, sem maiores distinções.

          No início do século XVIII, Charles Burton, ilustre visitante, faz a primeira classificação das hospedarias paulistanas. Após conhecimento das hospedarias existentes, classifica os estabelecimentos da seguinte forma:

1º Categoria - simples pouso de tropeiro;

2º Categoria - telheiro coberto ou rancho ao lado das pastagens;

3º Categoria - venda, correspondente à "pulperia" dos hispano-americanos, mistura de venda e hospedaria;

4º Categoria - estalagens ou hospedarias;

5º Categoria - hotéis.

          Uma nota curiosa: nos hotéis principais, como o de propriedade dos franceses Charels e Fontaine, só se hospedava quem tivesse carta de recomendações.

          A casa de hóspedes (1782) no Colégio da Companhia de Jesus, em Salvador, existiu desde os primeiros tempos da colônia e teve a honra de hospedar muitas personalidades ilustres. Essa é a primeira informação sobre a prática da hospedagem ligada à colonização empreendida pela igreja católica. Seguem-se, nos próximos 70 anos, outras referências à atuação da igreja na arte da hospitalidade. No mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro, na segunda metade do século XVIII, foi construído um edifício somente para hospedar os visitantes ilustres.

          Os pioneiros na capital paulista, dignos da denominação, começam a aparecer a partir de 1870. No largo do Capim, atual Largo do Ouvidor, no centro antigo, o Hotel Palma; na Rua São Bento, o Hotel Paulistano; na Rua da Fundição, esquina com o Pátio do Colégio, o Hotel do Comércio; no Pátio do Colégio, o Hotel Universal do Francês Lefebvre; na Rua do Comércio, o Hotel Providência, de Madame Legarde; o Hotel das Quatro Nações, que mais tarde sob a direção de José Migliano, passou a denominar-se Hotel Itália; o Hotel da França e o famoso Hotel D'Oeste; o Grande Hotel e os "alloggios" ( pequenos hotéis de italianos) onde a comida era farta e o vinho generoso. Pode-se observar claramente as origens européias desenvolvendo esse setor econômico.

 

 
 

 

 

 

 

 

 

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