Drª Selma Rodrigues  Universidade do Pantanal

 

         

          Existiam ainda os hostellum espécie de palacetes em que o rei e nobres se hospedavam em suas viagens. A fama da hospedaria dependia do luxo e dos serviços cerimoniais oferecidos a seus clientes.

          A decadência do Império Romano, a conquista final de Roma e a formação dos reinos bárbaros deram início a um lento processo de grandes transformações na vida européia. Transformações que determinaram os traços do sistema feudal, a Igreja católica conquistou grandes poderes. Preservando a cultura e a organização romana, conquistou os povos germanos para a doutrina cristã.

          A Igreja tornou-se uma grande proprietária de terras, a maior "senhora feudal" da Europa. O tipo de viagens mais freqüente  são as de peregrinação aos lugares santos e sagrados.

          Se considerava dever dos cristãos oferecer hospitalidade aos viajantes e peregrinos. Em muitos casos os mosteiros funcionavam como pousadas, servindo alojamentos e alimentação. Alguns mosteiros, não querendo que estes hóspedes atrapalhassem suas meditações, construíram edifícios independentes para alojar os viajantes. estes edifícios ficaram conhecidos como Xenodocheiros , palavra grega que significa pousada ou sítio de descanso.

          Durante o reinado de Carlos Magno, foi estabelecida uma lei que era dever de todo o cristão, oferecer gratuitamente um lugar de descanso ao viajante. Considerando a possibilidade de que o viajante poderia ficar por muito tempo, foi estabelecido um período de três noites em cada lugar.

          A partir de 1282, em Florença, os grandes proprietários de pousadas formaram um grêmio com a finalidade transformar a hospitalidade caseira em um negócio. As pousadas não pertenciam aos seus ocupantes e sim a cidade, e era dado contratos de arrendamento de três anos.

          Logo este conceito de arrendamento e não mais de hospitalidade gratuita se estendeu a Roma e a outras cidades da Itália.

          Durante os séculos XVI e XVII ocorre grandes mudanças na qualidade dos hotéis, principalmente na Inglaterra.  As viagens longas como de Londres a Edimburg, eram feitas em vários dias, e por isso se viam obrigados a pernoitar, pelos viajantes e pelos cavalos, pois o meio de transporte mais comum eram as carruagens. Com isso foi  construídas pousadas e tavernas em lugares estratégicos, nas rotas das carruagens. Normalmente os passageiros eram pessoas abastadas, ricos comerciantes, nobres acostumados a certos luxos e requintes.

          As pousadas passaram também a ser pontos de encontro de reuniões para nobres, políticos, sacerdotes, poetas, artistas e outros.

          As pousadas seguiam um padrão de construção relativamente uniforme. O projeto tinha forma quadrangular, com uma porta para acesso às diligências e os hóspedes. O pátio interior tinha vários usos, por exemplo, para festas e até mesmo como teatro. A forma quadrangular proporcionava paredes exteriores que serviam de proteção contra bandidos, e uma única entrada era de fácil controle e segurança. (figura 1.4)

          Durante o século XVIII, os cafés adquiriram grande popularidade na Europa e foram incorporados em muitas pousadas

          Ao final da Idade Média, com o crescimento das cidades e o início da Revolução Mercantil, houve grande desenvolvimento das estalagens, que passaram a oferecer, além de serviços de alojamento, refeições e vinhos, cocheiras e alimentação para os cavalos, troca de parelhas e serviços de manutenção e limpeza de charretes ou outro tipo de veículo.

          É também deste período o costume de se identificar os estabelecimentos comerciais colocando-se adornos em sua entrada. Na França, as hospedarias usavam ramos verdes de cipreste ou tecidos, em mastros nessa mesma cor. Na Inglaterra, colocava-se um mastro alto, pintado de vermelho. Em 1407 foi criada a primeira lei para registro de hóspedes na França, buscando aumentar a segurança nas hospedarias.

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

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