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Como a atividade pastoril não necessita de muita mão-de-obra, o meio rural da região permaneceu pouco povoado. Numa estrutura fundiária onde prevalecem grandes latifúndios, apenas um administrador e cerca de dez vaqueiros controlam perfeitamente uma fazenda típica, com cerca de cinco mil cabeças de gado ocupando uma área de aproximadamente quinze mil hectares (cerca de 150 Km2.
A maior parte dos proprietários de terras no Pantanal tem hoje nível superior, e seus filhos, educados nas melhores escolas das grandes cidades do país, acabaram por trazer inovações e melhorias técnicas à região. Ou seja, se, por um lado, a ausência do fazendeiro e de sua família - típicos das áreas de criação de gado extensivo - provoca um esvaziamento demográfico, por outro lado, o contato com os centros mais adiantados acabou por levar ao Pantanal um certo ar de modernidade nas atividades pastoris.
Os vaqueiros, ou peões, que realmente tocam adiante as atividades da fazenda, apresentam as mais variadas origens. Há desde aqueles que perderam suas terras e agora são obrigados a trabalhar para outros, até mestiços de origem indígenas, principalmente paiaguás e terenas, que encontram nessas atividades uma certa liberdade e um contato com as terras que conhecem como ninguém e que outrora lhes pertenceram.
Em geral, os peões moram nas fazendas, sobretudo os solteiros.
Os casados normalmente mandam suas famílias para as cidades do
Pantanal, onde moram com parentes e têm a oportunidade de educar seus
filhos. Como a população rural fica extremamente espalhada, não
existem hospitais, escolas e outros serviços.
O homem pantaneiro, cujo caráter se moldou na forja, de tantas
outras cheias anteriores, recebe o fenômeno com absoluta serenidade e
não se angustia na espera de que abaixe o nível das águas.
A água enquanto isso, vai ilhando as sedes e demais casas de
fazenda, forçando seus poucos habitantes a um inevitável confinamento.
O Pantanal, visto como um todo, é uma realidade em rápido
processo de transformação de novos conceitos e moderna tecnologia; o
homem pantaneiro, seja proprietário da fazenda, o peão ou o índio,
não poderá ficar imune a tão fortes influências. |