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O indígena pantaneiro, está restrito a uns poucos, elementos de tribos
remanescentes e vivem em inexpressivas comunidades. Poucas dessas tribos indígenas conseguiram sobreviver como grupo até os dias atuais. Ao que o fizeram encontram-se sob processo de aculturação e são descaracterizados por mestiçagem. Cadiwéus e terenos - ambos marcando presença por um bonito artesanato de cerâmica - as vezes vendidos em feiras livres ou em casas de artesanatos, são algumas dessas tribos, remanescentes.
Tratando-se de alguns aspectos básicos da cultura pantaneira, não
pode deixar de mencionar certos fatores preponderantes para a configuração
do universo do pantaneiro tais como: seu distanciamento dos centros
urbanos; isolamento devido a deficiências do acesso; proximidade de
dois países latino-americano e o convívio amistoso com ambos. "Com o desmatamento nas cabeceiras dos rios, o uso indiscriminado de agrotóxico, o contrabando de animais entre outros, causa um grande problema ecológico ao Pantanal e vários outros fatores ajudaram no empobrecimento do homem pantaneiro, perdendo áreas produtivas, reduzindo seus rebanhos, e com as cheias atípicas desses últimos 18 anos , mais a falência das atividades tradicionais da planície, o pantaneiro sem apoio a tecnologia disponível para as outras regiões, busca alternativas de sobrevivência em outros lugares. Muitas fazendas foram vendidas a pessoas ou a grupos que, por falta de conhecimento das características regionais ou por falta de cuidados adequados ao meio ambiente, comprometem ainda mais a região sob pontos de vista ambiental, social e cultural.
O pescador artesanal está hoje quase na miséria, pois a alteração na qualidade da água diminui o potencial produtivo dos recursos pesqueiros, além da concorrência da pesca amadora (turística) e industrial, esta última quase sempre predatória. Este segmento da sociedade pantaneira tem, em parte, se transformado em coureiros (caçadores de jacaré) e parte migrado para os grandes centros urbanos, engrossando as fileiras de mão-de-obra desqualificada, aumentando ainda mais a miséria dessa gente. Ex: Colônias do Baixo Taquari (Cedro, Rio Negro, Miquelina, Bracinho e São Domingos), com 2.000 famílias em completo abandono.
Os programas governamentais desenvolvidos até então pouca
contribuição trouxeram no sentido de evitar ou corrigir essas distorções,
por estarem voltadas quase sempre para a preservação da fauna, da
flora ou na introdução de modelos econômicos importados que não têm
dado certo na região. Esqueceram-se de considerar como centro de
qualquer programa o homem, seus conhecimentos e necessidades".
(Nilson de Barros, A Hora Veterinária - Ano 12, nº67/1992)
"O fato é que ao longo da história, confinado nestas distâncias,
o pantaneiro acabou por transformar-se num criativo improvisador,
adaptador de meios capazes de garantir-lhe a supremacia sobre os
elementos naturais, através de intervenção pacífica no sistema ecológico,
a fim de conciliá-lo práticas domésticas e as atividades concernentes
ao trabalho rural desenvolvidos nas fazendas." (Albana Xavier
Nogueira CEAU/UFMS) A água enquanto isso, vai extravasando o leito dos rios, ilhando as sedes e demais casas de fazenda, forçando seus poucos habitantes a um inevitável confinamento.
O homem pantaneiro, cujo caráter se moldou na forja, de tantas outras cheias anteriores, recebe o fenômeno com absoluta serenidade e não se angustia na espera de que abaixe o nível das águas.
O Pantanal, visto como um todo, é uma realidade em rápido
processo de transformação de novos conceitos e moderna tecnologia; o
homem pantaneiro, seja proprietário da fazenda, o peão ou o índio, não
poderá ficar imune a tão fortes influências.
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