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Às sub-bacias mencionadas acima, acrescenta-se ainda denominações baseadas na concentração de determinadas espécies vegetais como carandazal, paratudal, buritizal, pirizal, piuval, acurizal, entre outras. Há também denominações com fundamentos históricos como o Pantanal da Nhecolândia, que abrange parte do Pantanal do Taquari, ao norte do Rio Negro, como referência ao fazendeiro Nheco que ali constituiu uma das primeiras fazendas da região - a Fazenda Firme. No Pantanal, as feições de relevo apresentam também toda uma terminologia popular. Alguns termos são curiosos como a denominação " cordilheiras ", empregada para os cordões arenosos de um a dois metros de altura, elevados da superfície pantaneira, encontrados geralmente circundando baías. A denominação baía é empregada como sinônimo de lagoa e as drenagens são conhecidas como vazante ou corixo. A vazante constitui depressão alongada, ampla e larga, com drenagem temporária, por onde as águas escoam durante as cheias, intercomunicando baias. Já os corixos, ao contrário das vazantes, são canais de drenagem permanente, bem delimitados e entalhados na planície arenosa. As superfícies das cordilheiras e capões ( porções elevadas circulares ) são geralmente arborizadas e dificilmente atingidas pelas cheias normais, servindo assim de refúgio à fauna silvestre e ao gado. O MITO Muita gente ainda pensa que o Pantanal foi um antigo mar interior. Isto ocorre em função de ser uma região muito plana e deprimida, com inúmeras " lagoas salinas ". Antigamente, nos primórdios de sua exploração, meados do século XVI , acreditava-se que a região era um imenso lago de água doce, o qual o historiador alemão Schmidel batizou, em 1555, como Lago dos Xaraés, em referência a uma tribo indígena que habitava a região. Esta denominação continuou sendo empregada mesmo após a constatação de que não se tratava de um lago e sim de uma planície sujeita a inundações. Foi apenas no começo deste século que a região passou a ser conhecida como Pantanal, denominação também imprópria, uma vez que não se trata de uma região permanentemente alagada e muito menos de um pântano, como o nome pode sugerir.
O mito de que no Pantanal já havia existido um mar teve grande repercussão na década de trinta, evocado pelos defensores da idéia de que nele existiriam grandes reservas de petróleo, em continuidade às jazidas petrolíferas da Bolívia. Àquela época, em 5 de dezembro de 1936, foi publicado nos jornais de São Paulo um manifesto da Companhia Mato-grossense de Petróleo que relacionava uma série de argumentos favoráveis à tese da existência da petróleo no Pantanal. Um dos principais líderes deste movimento foi o escritor e político Monteiro Lobato que, até mesmo nas suas famosas publicações infantis, ajudou a difundir a idéia errônea de que ali havia existido um mar interior, posteriormente soterrado por sedimentos provenientes dos Andes. Investigações geológicas na área, empreendidas tanto pelo antigo Conselho Nacional do Petróleo como pela PETROBRÁS ( década de 60 ), não demonstraram a existência de petróleo e muito menos qualquer evidência da presença de ingressões marinhas na região. As abundantes conchas encontradas são de água doce e as " lagoas salinas " apresentam , na verdade, águas bicarbonatadas, não tendo nenhuma relação com a água do mar. A ORIGEM O que atualmente constitui uma extensa área plana e deprimida já foi, há 60 milhões de anos atrás, uma região elevada, resultado de arqueamento induzido pela formação da Cadeia Montanhosa dos Andes no extremo oeste da América do Sul. Esta área elevada sofreu rupturas com rebaixamento de blocos, dando origem à depressão pantaneira, posteriormente entulhada por centenas de metros de sedimentos. No registro sedimentar há evidências de que a sedimentação ocorreu sob bruscas mudanças no clima, ora árido ora úmido. Durante os períodos áridos, originaram-se extensos campos de dunas com mobilização das areias pelo vento, em função da ausência de vegetação. Sob ação de chuvas torrenciais, de curta duração, teria havido transporte de grande quantidade de areia para a bacia que se depositou na forma de leques aluviais no sopé das escarpas. Dentre estes leques arenosos, destaca-se o Leque do Taquari pela sua área em torno de 50 000 km quilômetros quadrados, perfazendo um terço da planície pantaneira e condicionando a distribuição dos principais rios da região. No dorso deste leque corre o Rio Taquari, formado por uma série de canais sujeitos a mobilizações e mudanças de cursos. Nas áreas limítrofes ao leque, relativamente mais deprimidas, encontram-se os cursos dos rios Miranda e Paraguai que apresentam canais sinuosos dentro de uma calha bem definida. |
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