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Para se falar da culinária
pantaneira é preciso lembrar da formação histórica da cidade e
dois períodos distintos e inconfundíveis. Um quando por falta de
ligação interna e terrestre com as outras cidades brasileiras, vivia
isolada , sob a influência dos países de língua platina. Outro
depois que se estabeleceram comunicações rápidas e aéreas e
ferroviária com São Paulo e Rio de Janeiro. Nesse período o rio
Paraguai perde sua hegemonia como meio de transporte de carga e
passageiro. Com poucas atenuantes, dessa influência, com os países vizinhos nasceram a maioria dos pratos mais famosos. O acentuado cosmopolitismo que se verificava na região (houve época em que a população de Corumbá se compunha de 50% de estrangeiros) trouxe como conseqüência a adoção de cozinha e hábitos caracteristicamente de origem oriental, argentina e paraguaia.
Antes de se estabelecer a ligação direta com as grandes
capitais brasileiras, por exemplo, o famoso Puchero - nome dado ao
cozido - era uma especiaria indispensável dos hotéis da cidade, das
colônias platinas. Mesmo nas casas mais humildes, o puchero passa a
ser adotado como prato da casa, sem nenhuma conotação aparente com o
prato mineiro ou simplesmente brasileiro, o cozido.
Do Paraguai, pelas mesmas razões e com motivações talvez
mais opulentas, e sua influência exercidas pelo relacionamento
fronteiriço marcaram os diversos tipos de alimentação, levando em
conta ainda a grande contribuição , ao povoar fazendas, região e o
próprio centro urbano, veio o hábito do tereré que corresponde ao
chimarrão do gaúcho, importado
mais através de Ponta Porã e Bela Vista, zona de ricos ervais,
servido com água em temperatura natural é muito usado nos campos, é
tomado só ou em grupo disposto em círculo, proporciona momentos de
descontração e integração. A chipa que é uma espécie de rosca,
de forma redonda ou oval, feita de queijo.
A sopa paraguaia, uma comida que pode ser comida a qualquer
hora do dia, é também ainda hoje muito procurada, principalmente
pelos membros da colônia guarani e pelos seus descendentes. A sopa
paraguaia, é sólida e não líquida como poderia deduzir pelo nome,
são encontrados nas casas de venda de salgado, confeitaria e bares e
até mesmo em tabuleiros de vendedores ambulantes. Feita em maior
escala na Semana Santa.
Juntando a esses, de origem fronteira, depois da chegada da
estrada de ferro Brasil-Bolívia e da ligação Corumbá- Santa Cruz
de La Sierra, um outro elemento culinário passou a ganhar prestígio
nas mesas e costumes do pantaneiro: a Saltenha, que parece ter sido
introduzida na década de 30/40, quando da construção da ferrovia. A
saltenha é feita de trigo, carne, ou com recheio de galinha. Um outro
prato boliviano que foi acoplado à culinária foi o Arroz boliviano -
tipo risoto, preparado com ervilhas, banana da terra frita, pedaços
de galinha, ovos cozidos e milho verde.
A culinária cuiabana, a mais tradicional e a mais típica de
todo o centro-oeste, também exerceu influência na mesa do pantaneiro.
Estão representados através da farofa-de-banana, farofa-de-carne
(matula de fácil manejo e transporte), o pacu assado, frito ou
ensopado, o caribeu, abóbora com carne seca, o licor de pequi, fruta
nativa da região, o furundu, sobremesa feita com mamão e rapadura de
cana, etc. Sobre o costume do consumo de guaraná, ralado na hora e
substituto do cafezinho, é tomado logo de manhã e segundo dizem
conserva o corpo em excelentes condições para a vida do campo ou até
mesmo para o dia-a-dia.
O peixe é o alimento mais popular no gosto do pantaneiro, mas
a carne bovina em abundância também é muito usada nas mesas da região,
geralmente servida com mandioca.
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